Bariloche e o Parque Nahuel Huapi

Um lago que se chama ilha, uma terra de nativos Mapuches onde se vende chocolate suíço, um glaciar com gelo negro e lagoas multicolores. Está é Bariloche, uma cidade que poucos brasileiros conhecem, especialmente durante os meses mais quentes do ano. Época onde as cores, aromas e sabores desta maravilhosa região afloram sobre o manto de neve branca, revelando um lugar totalmente novo e surpreendente.
 
 
Bariloche sem neve
Bariloche foi fundada oficialmente em 1902 com o nome de San Carlos de Bariloche.  Esta localizada ao norte da Patagônia Argentina e tem vocação turística incontestável. Nas últimas décadas tem se firmado como o destino de neve preferido dos brasileiros. Cerca de 40 mil deles desembarcam aqui todos os anos entre os meses de Julho e Agosto.
 
Porém, o que muitos Brazucas não sabem é que Bariloche é também um destino fantástico durante os meses mais quentes onde não há neve. Entre Novembro e Abril a paisagem muda radicalmente revelando paisagens antes escondidas pelo branco da neve. Nesta época o sol revela uma Bariloche verde, azul, amarela e vermelha. Verde pelos bosques que cobrem suas montanhas e vales. O Azul, dividido entre o céu e seu lagos de origem glaciar. O amarelo do Amacay, a sua flor mais típica e o vermelho proveniente das rosas, das tulipas e também de frutos silvestres como a framboesa, a amora e da Rosa Mosqueta, dos qual se produzem doces, geléias, chás e até perfumes.
 
Gastronomia
A cidade de Bariloche tem uma localização privilegiada às margens de um enorme lago azul e cercada por montanhas. A palavra Bariloche quer dizer: Povo de trás da montanha. Tem origem na língua dos Mapuches, povo indígena que habitou no passado esta região.Sua colonização foi feita principalmente por europeus radicados na Argentina e a influência do velho continente se faz sentir em toda parte, especialmente na arquitetura e na culinária. O Chocolate é sem dúvida um ícone da cidade que tem uma forte influencia suíça. Na rua Mitre, existe um quarteirão onde praticamente todas as lojas são especialistas em chocolates. Literalmente, uma delícia de caminhada! A Truta, peixe comum nos lagos da região, está presente na maioria dos pratos. Até mais do que carne, o maior produto de exportação argentino. Quem visita Bariloche também não pode deixar de provar as famosas empanadas e de comer as Facturas, doces de massa folhada encontradas em todas as padarias.
 
 
Estepe Patagônica  e canoagem no rio Limay
Grande parte da expedição da Família Goldschmidt foi feita fora da área urbana. Alguns dias foram gastos na região do Rio Limay, onde começa a estepe Patagônica. O rio forma um corredor natural dentro de uma área muito árida conhecida com Estepe Patagônica. Na língua Mapuche, Limay quer dizer cristalino, palavra que traduz fielmente a transparecia de suas águas. Usando caiaques canadenses a Família Goldschmidt desceu o rio por 70 quilômetros fazendo acampamentos durante todo o percurso. O Limay é um rio tranqüilo, que desce sereno por entre as colinas semi-áridas. Suas margens, repletas de árvores como o Sauce e os Alamos, contrastam com a vegetação baixa e agreste do interior. Aqui e ali aparecem casas de fazenda ou pequenos currais de ovelhas. As aves estão por toda parte e podem ser vistas banhando-se no rio ou observando desde as copas das árvores. Apesar de tranqüilo, o rio reserva muitas surpresas. Uma delas são as pequenas corredeiras que acrescentaram adrenalina a viagem. Apesar de seguro, é preciso atenção e cuidado para atravessar estas partes onde o rio ganha velocidade e as pedras afloram sobre a água. 
 
 
Vale Encantado
O rio Limay também faz parte do roteiro conhecido como Circuito Grande. Saindo desde Bariloche, este tour percorrer a região norte do lago Nahuel Huapi visitando os pitorescos povoados de Villa La Angostura e Traful. Em parte do caminho, margeia o rio Limay, onde as paradas são obrigatórias. Não devido ao tráfego, mas por causa da beleza e a exuberância da paisagem. Um lugar surpreendente é o Anfiteatro, onde o rio abriu caminho entre duas grandes paredes rochosas e escavou um enorme circulo que lembra um teatro de arena. Outra parada “obrigatória” é no Vale encantado, onde o vento e a chuva moldaram os picos das montanhas na forma de castelos e torres. O contraste da rocha negra com o céu azul e as águas claras do rio formam uma paisagem de tirar o fôlego.
 
 
Parque e lago Nahuel Huapi
Outra parte da expedição a Família Goldschmidt foi passada dentro do Parque Nacional Nahuel Huapi. Criado em 1934, é a maior e mais antiga reserva natural argentina. Ali se praticam esportes que tem contato em primeiro grau com a natureza como caminhadas, cavalgadas, rafting, canoagem, mountain bike e escaladas. Dentro do parque há locais de acampamento e várias opções de hospedagens em hotéis e fazendas (estâncias) transformadas em pitorescas pousadas. Estas hospedagens rurais são uma ótima opção para quem deseja tranqüilidade ou acesso fácil a todas atividades oferecidas na região.Dentro do parque o lago mais importante é o Nahuel Huapi cuja s superfície cobre uma área três vezes maior do que a da capital do país, Buenos Aires - DF. Possui sete braços, sendo que alguns deles tocam a estepe Patagônica enquanto outros avançam por entre a cordilheira dos Andes. O mais famoso é o Braço Blest, caminho usado na travessia lacustre para o Chile, o famoso Cruce de lagos. Seu nome, Nahuel Huapi, quer dizer, Ilha de Nahuel (que alguns traduzem como ilha do tigre, embora nunca tenham existido tigres na região).  Também, este é o primeiro lago que conheço que chama-se Ilha. Interessante!
 
 
Glaciares do Tronador e glaciar Negro
Outro ícone do parque é a montanha Tronador, a maior da região com 3.554 metros de altura. Possui três picos, sendo que o mais alto marca o limite da fronteira entre Argentina e Chile. Seu cume está sempre coberto por gelo eterno e de suas encostas descem vários glaciares. Conforme estes glaciares perdem massas, imensos blocos de gelo despencam de suas encostas fazendo um barulho semelhante ao de um trovão. Daí vem seu nome, Tronador (de Trueno, trovão em espanhol).Dos vários glaciares que descem esta montanha, dois chamam a atenção. O primeiro é Castaño Overa, cujo gelo azul refletido pelo sol contrasta com a montanha de rocha escura ao fundo. O outro é o glaciar Negro, um fenômeno único da região. Ele se forma quando o gelo do glaciar Manso (branquíssimo) cai do penhasco onde esta e mistura com pedras, cascalho e areia negra. No fundo do penhasco o gelo forma um novo glaciar, agora composto de gelo negro (impuro).  No final do vale, o gelo volta a quebrar-se na forma de grandes icebergs, cujas cores variam do branco ao cinza escuro.  Para completar a paisagem, da montanha descem mais de 30 cachoeiras produzidas pelo degelo. Algumas delas com centenas de metros de altura. Fantástico!
 
 
Rafing no rio Manso
A Família Goldschmidt continuou suas aventuras pelo Parque Nahuel Huapi, desta vez com um pouco mais de adrenalina. O desafio foi descer de rafing o rio Manso, que tem sua origem nos glaciares do Cerro Tronador. Durante seu percurso em território argentino, o rio Manso possui diversos trechos habilitados para a canoagem e ao rafting, variando desde o nível I ao IV. A Família escolheu fazer o último trecho, considerado o mais técnico, chamado La Frontera. Ele tem este nome porque termina justamente na fronteira entre a Argentina e o Chile.  Neste ponto, o rio desce um profundo cânion rochoso cercado por floresta Valdiviana, uma floresta densa e muito úmida, típica do Andes Patagônicos. O percurso tem cerca de  20 quilômetros e alterna corredeiras de nível III e IV. Cada corredeira está batizada com um nome, alguns bem interessantes como: “Ovos mexidos, êxtase, pavoroso e o melhor de todos: Grite, chore e vire  a esquerda. Neste último, depois de passar ao lado de uma pedra no meio do rio, a corredeira avança forte contra um paredão de pedra que literalmente joga a balsa para a esquerda. Muita emoção e adrenalina.
 
Expedição Bariloche
Em Março de 2009 a Família Goldschmidt realizou uma expedição de 11 dias a Bariloche, com o objetivo de descobrir os atrativos desta região durante os meses mais quentes do ano, onde não há neve. Para saber mais sobre este destino e sobre a Família Goldschmidt, visite os sites: www.goldtrip.com.brwww.familiagold.com.br