Vila de Sewell e Mina El Tenente

Embora muitos possam dizer que conhece Santiago, a capital do Chile, poucos podem dizer o mesmo da vila de Sewell e da mina El Teniente. Este é um dos passeios menos conhecidos da capital chilena e só agora tem sido procura de visitantes brasileiros.
A mina El Teniente esta localizada a 150 kms  ao sul de Santiago, na região de Rancágua. É considerada a maior mina de extração de cobre em profundidade do mundo com mais de 2.400 kms de túneis. Está localizada no meio da cordilheira andina, entre 2.000 a 2500 de altitude Esta ativa desde 1905 e hoje trabalha 24 horas, 7 dias por semana, extraindo diariamente 110 mil toneladas de rocha bruta das quais são extraídas 1.100 toneladas de cobre puro. Com produto secundários tão são extraídas 5 mil toneladas de Molibdênio, um mineral de alto custo usado na fabricação do aço. 
 
 
O cobre é chamado de Pão do Chile, pois é o principal produto de exportação do país, responsável pela entrada de centenas de milhões de dólares. Em todo o Chile existem dezenas de minas, alguns delas particulares e outras comandadas pelo governo. Somente as minas de cobre da Codelco, empresa governamental que cuida da extração deste minério, são responsáveis por 40% do PIB do Chile.
 
Visitar a mina El Teniente é algo impressionante, tantos pelo ineditismo dos passeios como pelas proporções de tudo na mina. As instalações são gigantes. Durante a visita é possível conhecer um pouco da historia deste lugar, bem como parte do processo de extração do cobre. A visita começa com a colocação de um equipamento de segurança obrigatório para se entrar nas instalações. Este equipamento consiste em óculos de proteção, capacete, botas, jaqueta laranja com refletores, um purificador de ar e um respirador de emergência preso a cintura. Vestido assim o visitante está protegido para enfrentar qualquer emergência e começa a se sentir um mineiro de verdade.
 
 
O próximo passo é subir em um micro-ônibus e entrar por um túnel de acesso que nos leva 4 quilômetros para dentro da montanha. Quando descemos do ônibus já estamos a mil metros abaixo da terra. A mina é um mundo a parte, uma verdadeira cidade onde circula 10 mil pessoas por dia. Com os túneis são estreitos, há vários turnos de trabalho com horários rígidos para entrar ou sair da mina. Por segurança, tudo é controlado nos mínimos detalhes e gigantes portas se abrem e fecham para isolar todos os setores da mina.  Depois de andar algumas centenas de metros pelos túneis, o passeio visita a Caverna dos Cristais. Esta caverna natural no meio da montanha forrada de cristais de quartzo, gesso e pirita, uma pedra dourada chamada de ouro dos tolos. A caverna é entrecortada por enormes cristais translúcidos de gesso, alguns com até 8 metros de comprimento. São pedras que não se encontram em qualquer lugar.
 
Depois de conhecer os cristais o passeio atravessa mais túneis em direção a uma das maquinas moedoras de pedra. É uma estrutura enorme na forma de um grande funil. Neste funil são atiradas as pedras retiradas da parte superior da mina (200 metros acima). No meio do funil existe uma bola de aço e titânio de 36 toneladas, responsável em transforma rochas do tamanho de um carro econômico em pedra com 20 cm de diâmetro. Neste lugar pode-se ver em detalhes como funciona o processo e observar a máquina em funcionamento. Algo impressionante, difícil de ser explicado.
Após o tour por baixo da terra é hora de conhecer o lugar onde viveram até 1981, os trabalhadores desta Mina. A cidade de Sewell foi criada pela empresa de mineração Braden Cooper Company, para servir de residência aos trabalhadores e suas famílias. Em 1905, quando a cidade começou a ser erguida, a única maneira de chegar a este local inóspito era a pé ou em lombo de cavalos. Por isto havia necessidade de se alojar todos os trabalhadores e suas família perto da mina. Mesmo depois, com a construção da estrada de ferro, as viagens eram longas, perigosas e cansativas. A vila de Sewell foi construída sobre uma colina íngrime e isolada em meio a um abrupto vale. Sua forma lembra uma grande árvore de natal com uma variação de altitude de 200 metros entre sua base e as casas mais altas. Era composta por cerca de 400 edifícios feitos com madeira nobre e que eram interligados por um sistema de escadas e túneis. No auge da produção de cobre nos anos 50, chegou a ter uma população de 16 mil pessoas, todas  vivendo isoladas em meio ao frio e neve. Os acidentes eram freqüentes, devido a falta de segurança nas minas, as avalanches de neve e os desmoronamento. A insegurança e a insalubridade da profissão eram compensadas por altos salários e muito conforto. Todas as casas eram aquecidas e na vila existiam escolas, teatro, mercado, boliche e cinema. Conta-se que os filmes de sucesso trazidos dos Estados Unidos eram exibidos primeiro em Sewell e depois no restante do Chile. Além dos altos salários, os mineiros não pagavam nada pelas casas, água, luz e lenha. Porém, todos esses benefícios tinham um preço. Regras estritas regiam o lugar, a bebida alcoólica era proibida, assim com o namoro público entre os jovens solteiros.
 
 
A vila começou a ser abandonada no final da década de 1960, quando o ar e a água ficaram contaminados com o resíduos produzidos pela mina. Poucos anos depois foi inaugurada uma estrada que ligava Sewell a Rancagua, o que permitiu que muitos mineiros viessem trabalhar diariamente na mina sem precisar viver em Sewell. A última família a abandonar a vila saiu em 1981 e a cidade começou a ser sistematicamente demolida. A destruição só foi interrompida com o inicio do processo na ONU que, em 2006 transformou a vila de Sewell em Patrimônio da Humanidade. Hoje restaram apenas 43 prédios, alguns em péssimo estado de conservação. A empresa do governo chileno, Codelco, cuida hoje da manutenção e restauração do que sobrou da vila. Apesar da destruição, Sewell continua sendo um lugar impressionante, tanto pela sua história, como pela sua arquitetura única. Caminhar por suas escadarias e vielas nos leva de volta ao passado e nos fazem compreender melhor o espírito empreendedor do ser humano, capaz de vencer desafios que e grande barreiras em busca de um ideal.
 
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Curiosidades:  

A cidade chamava-se originalmente El Molino. Com a morte de um dos sócios da Braden Copper Company, o americano Barton Sewell, a mina foi rebatizada com seu nome. O curioso é que Sewell nunca visou a cidade, a mina e nem mesmo conheceu o Chile.
 
A vida em Sewell era regida pelo departamento de Bem estar social. Eles controlavam tanto a vida pública com a privada. As bebidas alcoólicas eram proibidas no dia a dia da vila. Só eram permitidas nas duas festas anuais promovida pela companhia. Os solteiros não poderiam namorar na rua. Se um casal fosse encontrando namorando em público tinha duas opções: Casar-se no dia seguinte ou ir embora da vila com toda sua família, perdendo assim todos os benefícios de trabalhar na companhia.
 
Para driblar a Lei Seca surgiu a figura do Guachuchero, o contrabandista de bebidas. Eles traziam garrafas de vinhos e aguardente escondidas em um colete sob as roupas. Para driblar a fiscalização as vezes caminhavam dias a pé. Outra solução encontrada pelos mineiros para obter álcool era comprar vários vidros de perfume. Eles jogavam pedaços de cobre dentro dos perfumes para retirar o aroma. Depois misturavam o álcool a frutas para melhorar o paladar.
 
 Conta-se que o processo de seleção de empregados no inicio da mina eram bem simples. O candidato a mineiro tinha que ter baixa altura e mãos calejadas. A altura permitia que andassem pelos túneis com mais facilidade e as mãos calejadas provavam que eram de fatos trabalhadores esforçados.……………………………………..
 

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